5.07.2011

saudade .

tenho saudades tuas, foi tudo tão rápido.
lembro-me quando ias de manhã cedo trabalhar no campo e eu, a menina de tranças ficava a ver-te do baloiço. tu cuidavas de mim com amor, mesmo que eu não percebesse isso. contavas-me histórias (nunca me esqueci da do lobo). eu sentia-me feliz contigo, mesmo feliz. eu via algo que me assustava e eu punhame atrás de ti, indefesa e tu protegias-me. eu tocava para ti e tu ouvias-me. ainda me lembro quando tentei ensinar-te a escrever, muito depressa desisti. mas tu eras perfeita assim, podias ser analfabeta mas foste tu que me contaste as melhores histórias quando era pequenina, as melhores canções.
mas tudo passou e tu tives-te um fim, não consigo esquecer aquelas botijas de oxigénio, não consigo esquecer a tua cara pálida que transmitia beleza e fraqueza, e sempre que me lembro disto vêm-me as lágrimas aos olhos.
eu adoro-te, avó.
a única avó que eu connheci.

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